sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Linux GDM da Ducati Multistrada

Olá pessoal!

Sou usuário e simpatizante do Linux, mas não sou daqueles fanáticos que sequer pronunciam a palavra Windows, e quando precisam se referir ao sistema operacional da Microsoft usam "expressões alternativas" tais como: Janelas, AqueleOutroSistema, Ruindows, entre outras até mais indecorosas...
Gosto da filosofia e as ferramentas mais úteis para meu dia-a-dia de trabalho estão disponíveis para esta plataforma de sistema operacional.
E o Linux é cheio de coisas interessantes, entre elas o tal GDM (Gnome Display Manager). Não vou entrar em muitos detalhes técnicos, pois para o objetivo deste post basta saberem que o GDM é o responsável, entre outras coisas, pela tela inicial do sistema. Aquela na qual digitamos o usuário e a senha.
Pois bem, outro dia, cansado da mesma tela inicial, fui para a internet buscar algo novo. E encontrei. Mas como ainda estou embriagado pela nova Ducati Multistrada, resolvi juntar as duas coisas, e criei eu mesmo um tema de GDM para minha tela inicial com imagens da Multistrada.
Ficou assim:




Mostrei no Desmogroup e o pessoal gostou, então resolvi disponibilizar aqui também.
Quem quiser pode baixar neste link.
Como tudo no mundo Linux... pode usar, copiar, alterar, e distribuir que é tudo livre (licença GLP).
E se tiver dúvidas ou sugestões comente aqui no blog mesmo que a gente vai se ajudando.

Até o próximo!

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Salão de Milão - Ducati è stata votata la miglior moto


Durante o salão de Milão, que aconteceu entre os dias 10 e 15 de Novembro, os visitantes puderam votar na melhor moto do salão, e a Ducati Multistrada 1200, com 48% dos votos levou o título.



Trata-se de um lançamento da marca que vai para as "prateleiras" européias no começo de 2010, e dizem os mais otimistas (ou sonhadores) que estará disponível no Brasil no segundo semestre de 2010.
Os italianos realmente dão um baile quando o assunto é design de motos. Sempre inovadores e criativos, andam muito à frente e sempre nos surpreendem.

A nova Multistrada traz um novo sistema com controle eletrônico que faz dela uma moto com 4 perfis diferentes, acionados por um simples apertar de botão. Acionar este botão transforma a moto! Mexe com o controle de tração, a suspensão eletrônica, a injeção eletrônica, e etc., para atender aos 4 perfís propostos: Urbana, Enduro, Esportiva e Touring. Urbana, com potência disponível de 100 cv e suspensão em modo conforto; Enduro, também com 100 cv e suspensão elevada; Sport, com 140 cv e suspensão de comportamento esportivo, e Touring, com 150 cv e suspensão adequada para maior conforto em viagens longas, com carga completa, piloto e garupa.

Equipada com motor 1198cc Desmodrômico Testastretta da Superbike campeã do mundo, um bicilindrico com quatro válvulas por cilindro e sistema de arrefecimento líquido, potência máxima de 150 cv (110,3 kW) a 9.200 rpm e torque de 118,7 Nm, a 7.500 rpm. O comando desmodrômico, criação do engenheiro Fabio Taglioni, é uma marca registrada e exclusiva da Ducati, é usado desde 1956, e tem como ponto forte a otimização do processo de combustão e proporcionar nível mais elevado de potência.
E tem ainda o DTC (Ducati Traction Control) e o DES (Ducati Electronic Suspension), chassi de treliça em aço tubular, com partes em liga leve, suspensão dianteira Marzocchi de 50 mm, com curso de 170 mm completamente ajustável, e suspensão traseira progressiva com braço monochoque, também ajustável, com amortecedor Sachs, e os mesmos 170 mm de curso.

Quem quiser babar mais ainda e entender melhor os conceitos, dê uma olhada no vídeo que a Ducati disponibiliza. É fantástico!



Até o próximo!

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Dakar... O rally

Como este é um dos posts mais visitados do blog e fala sobre o Dakar, que todo ano tem um pouco mais de história para contar, resolvi atualizá-lo.
No final do post original (abaixo), vou adicionar as atualizações.
Fiquem à vontade para comentar e adicionar informação.

Postagem Original (16/11/2009)

Olá pessoal!
A E900 tem boa parte de sua história amarrada ao Rally Dakar, antigo Paris-Dakar, e por isso resolvi escrever um pouco sobre estas histórias...
O Rally nasceu da experiência do francês Thierry Sabine ao participar, de moto, em 1977 do rally Abidjan-Nice. Sua primeira edição teve início em 26/Dez/1978 com 170 competidores que partiram de Paris e, 10.000Km depois chegaram a Dakar em 14/Jan/1979.
O primeiro vencedor iria tornar-se lenda anos depois. Cyril Neveu, então com apenas 21 anos, venceu pilotando uma Yamaha XT500.
A primeira vitória de uma Cagiva foi em 1990, nas mãos Edi Orioli, e em 1991 outro nome recordista em vitórias sobe ao ponto mais alto do podium pela primeira vez: Stéphane Peterhansel.
Enquanto Cyril Neveu reinou na primeira década de rally com 5 vitórias, sendo 2 de Yamaha e 3 de Honda, na terceira década foi a vez de Stéphane Peterhansel, que também venceu 5 edições, todas elas de Yamaha. A última década encerrou-se sem uma hegemonia tão grande. Richard Sainct venceu 3 edições, Fabrizio Meoni, Marc Coma e Cyril Depres venceram outras duas cada um.
Falando-se de fabricantes, a Yamaha venceu 9 das 30 edições, mas não vence desde 98. Na primeira década a Honda venceu 4 edições, e a Yamaha reinou absoluta na segunda década, vencendo 7 edições. Foi nesta segunda década que a Cagiva conquistou 2 vitórias. E eis que surge a KTM.
Conquistando 8 das últimas 10 edições a marca austríaca é hoje unanimidade absoluta. Sua primeira aparição foi no Dakar de 1980, quando chegou na sexta posição. Em 96 a marca tinha 7 das 10 primeiras posições, e este número sobe para 9 em 98. Conquistou a primeira vitória em 2001 nas mãos de Fabrizio Meoni, e naquele ano das 20 primeiras apenas uma única moto era de outro fabricante. Este ano, na trigésima edição da competição, as KTM eram 8 entre as 10 primeiras.
Com o cancelamento da edição 2008, devido ao fato de que vários países africanos se declararem impossibilitados de prover garantias mínimas de segurança aos participantes, em virtude dos conflitos que assolam a região, a comemoração dos 30 anos da competição precisou aguardar 2009, que marcou ainda a estréia da competição no continente americano. Neste ano largaram 113 motos, sendo 64 KTMs, que somadas à Honda e Yamaha completam mais de 90% dos participantes.
E parece que a organização e pilotos aprovaram a mudança de ares, pois a largada da versão 2010 do Dakar acontecerá dia 01/Jan em Buenos Aires, e serão percorridos mais de 9000Km até a linha de chegada no mesmo local, Buenos Aires, 17 dias depois.
Pois é, e a pobre Cagiva ficou só com 2 vitórias em 30 edições? É... mas como todos sabem as motos desta marca sempre usaram motor da Ducati, e como não se tem registro desta marca no Dakar, fui buscar no mundial de superbike mais informações. Opa! Parece que chegamos à redenção! Eis que este motor com comando desmodrômico e embreagem à seco (Quem escuta pela primeira vez pensa que tá tudo quebrado e moendo lá dentro!) venceu 16 das 20 edições desta competição.
Pois é, como já falei por aqui, a Cagiva, que produz motos desde 1978, foi adquirida no final de 2008 pela Harley-Davidson, que mantem a fabricação apenas dos modelos Mito e Raptor, mas a grande expectativa que vivem os amantes da marca é o relançamento dos modelos consagrados.
Todos nós, cagiveiros ferrenhos, acreditamos que esta é uma possibilidade de quebrar esta hegemonia da KTM no Dakar.

Que Jim Ziemer, CEO da Harley-Davidson nos ouça!
Até o próximo...

Atualização em 05/05/2013

Desde o post original até agora o mundo já deu 1273 voltas.
Jim Ziemer deixou o posto de CEO da Harley para Keith Wandell.
A Cagiva não pertence mais à Harley, voltou para a família Castiglioni como parte do grupo MV Agusta, e atualmente pertence à Wolksvagen/Audi.
Por falar em Castiglioni, Claudio subiu pro andar de cima em 2011.
Agora todo mundo corre o Dakar com motos 450cc.
Mas tem coisas que não mudaram... o Dakar continua na América do Sul, e a KTM continua ganhando.
Se a década de 80 foi dividida por Honda (5) e BMW (4), a de 90 por Yamaha (7) e Cagiva (2), desde 2000 que só a KTM chega na frente.
Este ano algumas figuras representavam grandes ameaças à esta hegemonia: Felipe Zanol (Honda), Joan "dinamita" Barreda (Husqvarna), Olivier Pain e David Casteu (Yamaha).
Zanol, como todos sabem, sofreu grave acidente nos EUA e ficou de fora do Dakar2013.
Joan Barreda foi muito bem até a 5ª etapa, quando perdeu 3h e todas as chances.
Pain estava na frente até a 7ª etapa, mas teve muitos problemas e também perdeu suas chances.
E Casteu terminou a 8ª etapa em primeiro mas bateu numa vaca na etapa seguinte e abandonou por um traumatismo no ombro.

Cyril FDP Despres confirmou em Março que deixou a KTM (eu já tinha anunciado aqui).
Uns dizem que vai pra Honda, outros que vai pra Yamaha, outros que vai de carro, e outros querem que vá pra bem longe aprender noções básicas de solidariedade.

Podemos considerar algumas outras competições ao redor do mundo com um termômetro para o Dakar.
O Rally de Abu Dhabi, este ano foi vencido por Marc Coma, sinal de que está recuperado, e teve Paulo Gonçalves em segundo com uma Husqvarna chamada Speedbrain somente 32s atrás de Coma.
A mesma dupla chegou na frente no Rally do Qatar, com diferença menor ainda (4 segundos !), e aparecem também Chakeco Lopez em e Cody Quinn, respectivamente em 4º e 5º com KTM e Speedbrain.
Teremos ainda o Rally da Sardagna no final de Maio, da Argentina (ruta 40) em junho, dos Sertões no final de Julho, dos Faraós em Setembro, e do Marrocos em Outubro.

Vamos acompanhar.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Final de semana difícil...

Olá!

Com um pouco de atraso, trago um post sobre o passeio do feriado de 02/11 em Floripa.
Então... havia um encontro de motociclistas, e o pessoal da minha cidade estava se organizando a um bom tempo para participar.
Eu nunca participei de um encontro, e tinha a imagem de um monte de "boyzinhos" queimando pneu, fazendo barulho, deixando as ruas cheias de sujeira, e bebendo (por dizer bebendo...) até acido de bateria.
Mas este parecia que seria diferente.
A começar pelo grupo.Somando a idade dos 8 intrépidos "pilotos" é capaz de passar dos 400 anos, e somando a kilometragem rodada por todos em duas rodas, é difícil chegar aos 100 mil.
Mas a verdade é que o pessoal é muito divertido...

Os médicos, professores e empresários, ao entrarem em suas roupas, encarnam e vivem outra persona, e no final, não se sabe se, como dizia o velho Raul (Seixas) "era uma borboleta que pensou que era um sábio chinês, ou um sábio chinês que pensou ser uma borboleta".
Fomos de bonde. E para quem não sabe, bonde é uma forma organizada de se andar em grupo de moto na estrada. Quem vai na frente é o "ponteiro", quem vai no final é o "ferrolho". Ninguém passa o ponteiro e nem fica atrás do ferrolho, e a galera vai andando em um único bloco, de uma fila dupla desencontrada, ou seja, não se anda lado-a-lado, mas sim em diagonal com a moto da frente e a de trás. Em pista dupla, para ultrapassar, o ponteiro sinaliza e abre, e em seguida o ferrolho faz o mesmo, "travando" o trânsito para proteger a ultrapassagem do resto do grupo.
O maior problema de se viajar em bonde é que o grupo precisa encontrar um consenso de ritmo. Grupos mais acostumados a viajar juntos têm mais facilidade em encontrar esta sintonia, mas esta era a primeira viajem deste grupo, e encontrar esta harmonia demorou um pouco.
Mas os problemas não se resumem à faixa etária ou inexperiência dos brothers. Coisas piores nos aguardavam...
Ao chegarmos no hotel tivemos que suportar várias horas em um ambiente quase inóspito.

Sol, cerveja gelada, piscina, mar, céu azul, uma brisa leve e refrescante.
Um verdadeiro martírio.
E foram VÁRIAS horas!!!
No dia seguinte estava programado um passeio ao redor da ilha.
Calculei cerca de 800 motos alinhadas.

Pareciam estar presentes todas as marcas e modelos do mundo, mas Cagiva só tinha uma... :)
Rodamos da praia dos Ingleses até a Lagoa da Conceição, passando pelo Rio Vermelho, Barra da Lagoa, e praia Mole, e daí, pelo Canto da Lagoa, Rio Tavares, Costeira do Pirajubé, para a baía sul, atravessando o túnel sob o Morro do Mocotó para chegar ao centro, e daí para a beira mar norte.
Por onde passava, aquele mar de motos chamava a atenção.

Seguimos pela SC401 até o trevo que nos levaria para Jurerê Internacional, onde este monte de motos chegou ao P12, onde seríamos obrigados a passar o resto do dia.

As imagens falam por si só... penamos... um martírio...

O local é uma sede de praia do clube 12 de Agosto. Fica bem no final da praia, à esquerda de quem chega. Um lugar amplo, com picinas, bares, palco, acesso exclusivo à praia, tendas, divãs, poltronas, camas, enfim... um inferno. A para maltratar ainda mais os já sofridos motociclistas, o almoço foi servido ali mesmo, neste ambiente que abala até o psicológico do sujeito. Paella à Valenciana. Teve gente que até chorou!!!
Já no final do dia rolou no palco a apresentação de 3 grupos. A bateria da Consulado, que empolgou a turma do samba, com destaque para a musa, que empolgou mais do que a bateria...

E mais 2 bandas que fizeram o mais puro rock and roll.

Chamou a atenção um menino que estava especialmente atento e envolvido pela apresentação das bandas. Chegou a sentar no palco para assistir, e no final fez questão de uma foto com as meninas, autógrafo, beijinhos e tudo que um bom fã tem direito.

No final da noite, num dos estacionamentos que abrigou cerca de 400 motos, restavam apenas 4, o Cagivão e mais 3...
No dia seguinte, feriado de 02/11, o retorno foi meio difícil por causa do trânsito na estrada, mas chagamos todos bem, como se diz: "contentes e satisfeitos".
Não posso deixar de registrar agradecimento aos brothers pelo convite e pela companhia, e espero que o grupo faça poeira com mais freqüência.

Até o próximo, onde quero falar um pouco sobre o Dakar (rally).

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

GPS - uso misto...

Tinha comentado que ainda tinha mais 2 posts sobre a viagem para Minas.
Resolvi juntar os 2 em um só, e um deles transformei em um vídeo (trabalho artesanal), e já vou pedindo desculpas para quem tem banda estreita e pouca velocidade de conexão, pois o vídeo ficou um pouco grande...

video

O resto do assunto é sobre GPS.
Nesta viagem usei um da Foston, modelo FS-430, que custa US$100,00 em Ciudad del Este.
Este GPS, além dos programas de navegação, que são o IGO v8.3, o MioMap e o PolNav, dispõe de um player para MP3 e também toca vídeos em mp4. Tudo isso roda sobre Microsoft Windows CE. É possível, por exemplo, deixar rodando em primeiro plano o IGO e em segundo plano player, de modo que você vizualiza o cockpit do GPS, escuta sua trilha sonora preferida, e ainda escuta as mensagens do navegador, do tipo "prepare-se para virar a direita a 800m para a rua Allan Kardec".
Meu avô já dizia: "orai e vigiai", e a experiência mostrou que o melhor é jogar o destino no GPS e seguir as instruções, mas parar de vez em quando para perguntar. Uso misto.
É fato que, se tiver sinal, se a precisão for boa, se você tiver paciência, e se tiver fé, o GPS vai te levar ao destino, mas nem sempre pelo caminho "mais conveniente". Nem sempre os mapas estão atualizados, principalmente das cidades menores, e as vezes ele te faz passar por lugares "insalubres". Então, por isso, orai, ou seja, coloque o destino lá e sega as instruções, e vigiai, quer dizer, ligue o desconfiômero e pare de vez em quando para perguntar às pessoas.

Ops... já ia esquecendo, ainda tem outra variável que pode acarretar em experiências negativas no uso deste GPS, além da qualidade do sinal e confiabilidade dos mapas.
Como falei, todas estas maravilhas rodam sobre Microsoft Windows CE, que tem o péssimo hábito de "travar" de vez em quando. Por exemplo, qualquer pessoa que tenha usado um computador com Windows certamente já viu uma tela de erro dizendo "Este programa executou uma operação ilegal e será fechado", e neste momento, seja lá o que você fizer, o programa (seja ele qual for) realmente srá fechado, e o jeito é começar tudo de novo... Pois é, como todo Windows que se preze, isso também acontece no GPS...
Desculpem... como sou entusiasta e usuário de software livre (linux), não podia perder a oportunidade de dar uma "espetadinha"... :)

Até o próximo!

sábado, 24 de outubro de 2009

Na estrada - dia 11

Depois do café da manhã no hotel "sinistro" caímos na estrada de novo, rumo à Curitiba.
Para não passar por São Paulo procurei um desvio que um amigo havia indicado, e acho que peguei o caminho errado, pois ficamos circulando um tempão por dentro de Jundiaí, mas no final o GPS nos colocou na estrada de novo.
Para não fugir à regra, pegamos um pouco de chuva no caminho, e aproveitamos para parar e fazer um lanchinho.
Nossa intenção era pernoitar em Curitiba, e seguir para casa no dia seguinte, mas chegamos à Curitiba pouco depois das 17h, cansados, mas ainda meio inteiros, então decidimos seguir direto para casa, onde chegamos pouco antes das 19h para receber o abraço das crianças.
Muita festa... todos falando ao mesmo tempo... cada um querendo contar mais novidades... presentinhos para todos... mais abraços e beijos... uma beleza!

Pois é... e a viajem acaba por aqui, com 4000Km a mais na bagagem e a E900 em casa...

Mas ainda tenho outros 2 posts no forno, e no próximo final de semana vamos "fazer poeira" em Florianópolis, e vou contar tudo por aqui, então... Não me abandonem!!!

Quero agradecer as visitas e comentários de todos, em especial da Adriana Vilela, sempre presente nos comentários, mas sei que tinha bastante gente visitando e acompanhando a viagem, e que não comentava até por uma falha minha, que inicialmente não permiti comentários anônimos, coisa de blogueiro principiante...
Adriana, desta vez não foi possível esticar até BH para visitá-los, mas tenho certeza de que a qualquer hora uma estrada vai proporcionar a oportunidade para nos conhecermos todos pessoalmente.
Enfim, esperamos ter levado à vocês alguns momentos divertidos, e se tivermos despertado em pelo menos um de vocês uma vontadezinha incontrolável de cair na estrada, nos damos por satisfeitos, e um dos objetivos deste espaço foi atingido.
Fica uma imagem da E900 na Estrada... Real.
Até o próximo...

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Na estrada - dia 10

Estávamos devendo uma foto do pão de queijo. Pois ai está. É do café da manhã da pousada. Muito bom, mas ainda fica devendo para o da D. Zinha.

Saímos de Ouro Preto cedinho, e o trânsito já estava bagunçado... Já tive uma experiência anterior em que fiquei sem poder voltar para o hotel por causa de uma visita de sua excelência, então saímos bem cedo, e ao cruzar com um guia que estava orientando o trânsito, pedimos informação sobre o caminho para sair, agradeci e disse: se o presidente perguntar por mim, diga que já fui. :)
Nosso destino era uma pousada em Atibaia. Pouco antes de São João del Rey, o velocímetro, que já vinha dando sinais de problema parou de vez. Paramos para verificar e, sob os olhares atentos da platéia, constatei que o cabo havia rompido. Um dos "expectadores" disse: lá na esquina tem uma loja que tem tudo de moto. Nem perdi meu tempo. Mal sabe ele que para Cagiva até parafuso é difícil...

Por sorte tenho outro em casa! Outro probleminha que tivemos com a moto foi que, ainda em Tiradentes, um dos parafusos que prende os faróis soltou-se. Lá mesmo eu havia recolocado no lugar, mas ele voltou a se soltar. Isso praticamente não representa nenhum problema, e resolvi deixar para fazer o reparo definitivo em casa.
No caminho entre Lavras e a rodovia Fernão Dias tivemos que ficar parados na estrada por um tempo. A polícia vinha parando o trânsito para que um caminhão com uma carga "grandinha" pudesse passar.Paramos em Pouso Alegre para esticar as pernas, e a Carla aproveitou os preços de uma loja para comprar um vestido e um brinquedo para as crianças. E aproveitou também para tirar a roupa na praça. Estou falando da roupa de chuva!

Chegamos à Atibaia à noitinha, e, com alguma dificuldade encontramos a pousada na qual havíamos feito reserva. Não gostamos, e resolvemos ir até o centro da cidade e ver se achávamos algo melhor. Encontramos o Grad Hotel Atibaia e resolvemos ficar. Lugar estranho...
O hotel é bem antigo.
Talvez o mais velho da cidade.
A janela de nosso quarto tem uma bela vista para o telhado do prédio ao lado, e o chuveiro só esquenta depois de uma leve pancadinha...
Com a ajuda do recepcionista pedimos uma pizza, que tivemnos que comer na caixa e na mão, pois pratos e talheres estavam trancados em algum lugar que o recepcionista não tinha chave.
Havia um quadro com a imagem de uma jovem muito sinistro, e com o vapor do chuveiro apareceu o nome "Maure" na parede. Sinistro...

Bom... mesmo assim dormimos e descansamos, e depois do café da manhã (meia boca) Seguimos rumo à Curitiba.

Estamos ansiosos por chegar em casa...

Até o próximo.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Dilermando Reis

Ontem, fomos jantar e encontramos o restaurante...
Entramos para dar uma olhada no cardápio e logo o som do violão chamou à atenção.
Entramos e sentamos numa mesa próxima ao músico.
Ele tocava lago de Baden Powel.
Depois passeou por Vinícius, João Gilberto, e outros do gênero.
O sujeito tocava muito bem! Como diz o manézinho da ilha... Éjs um monxtro! Dajs um banho!
Comemos uma saladinha e uma lasanha, e experimentamos uma cerveja chamada "Devassa", e nos perdíamos no tempo ouvindo o violão.

No final de uma música, falei: Toca uma do Dilermando.
Ele disse: Dilermando... faz tempo que eu não toco... não sei se vou lembrar... mas minha memória é boa...
E começou a dedilhar Abismo de Rosas.
Terminou dizendo: Quanto tempo que eu não toco isso!
E já foi passando para outra... e mais outra... e outra mais...

Sempre que escuto Dilermando e outros do gênero, é inevitável lembrar de minha mãe. Ela adorava! E quase posso vê-la num sábado de manhã, preparando um "frango de casaca", e escutando Dilermando no programa de rádio "Almoço à brasileira", que tocava das 11 às 12h, e balançando no ritmo das músicas.
Minha mãe foi para o andar de cima já faz algum tempo, mas naquele momento ela parecia estar sentada na cadeira ao lado.

E o músico, entre uma canção e outra, comentava de seus primeiros contatos com a música, da juventude quando passava horas tentando tocar a música de alguém, e de como sua mãe gostava de Dilermando Reis.
Só as músicas já me emocionam, mas quando o músico, entre uma canção e outra, exclamou: "que saudades de minha mãe!"... mais uma vez chorei de saudades da minha mãe.
Algumas pessoas se vão e deixam um espaço que nunca é preenchido.

No final disse a ele que ficaríamos a noite toda escutando, mas que precisávamos ir embora, e ele agradeceu por eu tê-lo lembrado de Dilermando Reis.

O músico chama-se Rogerio Rodriguez.
Minha mãe chama-se Nanci.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Na estrada - dia 8

Hoje após o café da manhã, que fizemos em uma mesa comunitária, junto com os demais hóspedes da pousada, fomos procurar o Emerson (guia) na Praça Tiradentes.
E lá estava ele, pronto para o tour. Realmente é muito válido contratar os serviços destes profissionais, pois eles nos levam aos pontos turísticos e contam as histórias e lendas locais.

Quando andávamos pelas ladeiras na companhia do Emerson, passamos por uma rua na qual uma placa citava um tal "vira-saia", e perguntamos a ele do que se tratava, pois ele contextualizou, relatou e comentou a história do personagem, em uma narração de uns 15 minutos cheia de detalhes. Excelente!


Ouro preto é uma cidade localizada em um vale, na encosta dos morros, e por isso, é difícil encontrar uma rua que tenha mais de 30m na horizontal. Todas são em ladeiras bastante inclinadas.A cidade respira inconfidência e aleijadinho.

Daqui da cidade, no auge do ciclo do ouro, saia 1/3 de todo o ouro produzido no mundo, que era pesadamente taxado por Portugal. Em 1755 Lisboa foi parcialmente destruída por um terremoto, e o império sobretaxou a produção de ouro na colônia em 1/5, com objetivo de "reforçar o caixa" e fazer frente às despesas de reconstrução. Esta sobretaxa, que ficou conhecida como "o quinto dos infernos" foi um dos mais fortes motivadores da inconfidência mineira, movimento conduzido pela burguesia, nos moldes da revolução francesa, com objetivo de dar fim à opressão da coroa, e buscar a independência da colônia, e que silenciou-se com a morte de Joaquim José da Silva Xavier (Tiradentes).

Aqui viveu e morreu Antônio Francisco Lisboa, o aleijadinho, que trabalhava em madeira e pedra sabão, além de exercer a profissão de "riscador", que era a pessoa que desenhava (riscava) o trabalho a ser executado. Além de Ouro Preto, existem obras do artista, principalmente, nas cidades de Mariana e Congonhas. Nesta última estão os 12 profetas, esculpidos na pedra sabão, em tamanho natural.
Durante o tour visitamos também uma antiga mina de ouro.

O passeio no interior da mina, que se estendeu por 150m, e nos deixou 700m abaixo da superfície, foi precedido por uma pequena "palestra" proferida pelo guia da mina, na qual, com apoio de livros, revistas e outras publicações, ele enfatizou e detalhou o valor do braço escravo na exploração do ouro na região. Ficamos sabendo que um escravo sobrevivia não mais que 7 anos trabalhando nas minas, e que todo o trabalho desenvolvido no interior das minas era feito exclusivamente por escravos, pois os senhorios e proprietários não entravam nas minas. Notem então que todo o mérito de encontrar os veios de ouro montanha à dentro foi dos escravos, que aprenderam a "ler" na rocha os indícios e caminhos que levavam ao ouro.


Ontem jantamos no restaurante "O Sótão", que serve um rodízio de panquecas acompanhado de excelente música ao vivo. Fica a dica.

Amanhã o presidente Lula vem à cidade, e vamos tentar sair bem cedo, antes que fechem as ruas e o trânsito fique um inferno.
Bom, como atrasamos para sair e precisaremos voltar mais cedo para casa, não teremos tempo para ir até a serra da canastra, que era a parte final da viagem. Vai ficar para a próxima...
Ha... ontem falei do "Sozé"... para quem ficou curioso, o nome dele é José... Sozé... Seu Zé... :)

Até o próximo!

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Na estrada - dias 6 & 7

De São Thomé a Tiradentes passamos por Três Corações, Lavras e São João del Rey.
Logo saindo de São Thomé, paramos na estrada para esperar uma pequena tropa de gado passar, que vinha sendo conduzida por 2 tropeiros. Gente simples que andava descalça no estribo. Acho até que aqueles pés não se adaptariam ao uso de calçados...

Paramos em São João del Rey para fazer um lanchinho e esperar a chuva passar. Sim chuva de novo... Está chovendo à tarde quase que diariamente.
O lugar que paramos servia um pão de queijo recheado... Diliça!!!
Em Tiradentes nos hospedamos na pousada "Portal", e ficamos 2 dias na cidade.
Chegamos à tardinha, bem à tempo de fugir da chuva de granizo, e só deu tempo de jantar e cair na cama. Mas no jantar provamos uma costelinha de porco com ora pro nobis e angu.

A tal ora pro nobis é uma folha semelhante à couve, muito comum na região, e presente em quase todos os restaurantes. Para registro, a Carla não gostou, disse que a folha "solta uma baba" e não tem nada a ver com couve.

No dia seguinte descemos a rua até a estação de trem, onde conhecemos o Sr. Léo, um charreteiro que leva o povo nos pontos turísticos e conta todas as histórias com eles relacionadas.Inclusive nos contou que Tiradentes não nasceu em Tiradentes, e não morreu em Tiradentes, mas sim nasceu em uma fazenda próxima da cidade, e foi enforcado no Rio de Janeiro, depois de ser preso em Ouro Preto. Existe uma suposição de que ele haveria residido na cidade entre os 9 e os 15 anos, quando, após perder os pais, teria ele residido na casa do padre Toledo. Após abandonar o posto de alferes no exército do império, ele retornou à cidade, e a casa do padre Toledo abrigou várias reuniões da inconfidência.

O Sr. Léo "pilota" uma charrete muito bem cuidada, tracionada pelo "Falcão", um cavalo de meia idade que fica nervoso por andar de vagar e morde a charrete. Quando comentamos do blog o Sr, Léo insistiu para publicarmos sobre aquilo que faltava à cidade, tais como a cadeia da cidade. Esta cadeia é um prédio histórico localizada à frente da igreja dos negros, e está fechada a seis meses para restauração, e ainda não fizeram nada.

Por falar na igreja dos negros, ela é uma das menores e todo o ouro usado no altar, cerca de 12Kg, foi carregado pelos negros escondido nas unhas, dentes e cabelo, e a construção da igreja ocorreu durante a noite, que era o período de "folga" dos escravos.

Tem a igreja dos mulatos, que na época eram mais discriminados do que os negros, e ainda a igreja dos brancos, a matriz da cidade.

Esta igreja tem quase meia tonelada de ouro no altar, e um órgão que foi fabricado na França, trazido ao porto de Paraty, desmontado, carregado até Tiradentes em lombo de mula pela Estrada Real, remontado e instalado na matriz. Semanalmente um músico executa nele obras barrocas para deleite dos visitantes.

Nestas igrejas o piso é sempre de largas tábuas, e abaixo dele o espaço era usado para sepultar pessoas importantes, ou que tenham doado bastante dinheiro à igreja, através da prática conhecida como "perdão das indulgências". Todos os outros coitados eram jogados no rio. O rio das mortes.À tarde fizemos o passeio de trem até São João del Rey, e lá visitamos outras igrejas, o solar da família de Tancredo Neves...uma rua onde a parede das casas são todas fora do prumo...

um cemitério coberto...a fábrica das famosas "namoradeiras" (bonecas que enfeitam as janelas), e uma fábrica de artefatos em estanho, além do museu do trem, que fica na própria estação, tudo isso através dos serviços de guia e city tour do Sr. Joel, que também ia descrevendo e contando tudo sobre cada canto, prédio e rua por que passávamos.

Notamos uma certa "rixa" entre as cidades de Tiradentes e São João del Rey, cada guia valorizando sua cidade e fazendo comentários "espinhosos" sobre a cidade vizinha.
Tiradentes é uma cidade bem mais cuidada e preparada para o turismo. Não tem nenhum prédio, o calçamento original é preservado na área central, e todo o casario é preservado, mesmo sendo ocupado e usado por pousadas, restaurantes, lojas e residências. Ao passo que São João del Rey é uma cidade maior e que já engoliu seu lado histórico, preservado apenas em alguns pontos.
Tivemos muita dificuldade para acesso à internet, apesar de Tiradentes oferecer conexão wireless pública em três pontos da cidade, e "tomadas em árvores".
Hoje cedo passamos pela praça novamente para comprar algumas coisas, e seguimos rumo à Ouro Preto, onde chegamos por volta das 16h, passando por Barroso, Barbacena e Ouro Branco. Na praça central, que leva o nome de Tiradentes, encontramos o Emerson, um jovem que se apresentou como "agenciador de pousadas" e estudante de turismo (mostrou carteirinha e tudo!). Ele nos levou até a pousada Ouro Preto, onde fomos recepcionados pelo "Sozé" e nos instalamos. Deixamos agendado com o Emerson um city tour para amanhã cedo.

Vamos procurar um local para jantar e amanhã contamos do passeio.

Até o próximo!