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domingo, 5 de agosto de 2012

Otros sabores de Uruguay

Olá pessoal!

Na nossa viagem conhecemos gente interessantíssima.

Estivemos com o Hamilton Coelho.
Figura fantástica!
Não me conformo até hoje por não havê-lo "descoberto" antes.
Perdi a conta de quantas vezes já cruzei a fronteira Brasil-Uruguay pela pequena ponte sobre o arroio chui, e nunca soube que bem ali ao lado vive uma personalidade tão interessante.

Ele mora a bastante tempo em uma casa ampla às margens do arroio chui.
O terreno pertence ao estado, e a casa foi construída pelo governo militar, mas muito pouco usada, e acabou sendo abandonada, e o Coelho aguarda com paciência o judiciário definir sua situação de posse.
Enquanto isso...
Ele dá vasão à sua arte e alimenta sua paixão pelo mar e suas coisas.
Baleias.


É pelo trabalho que faz com os ossos destes animais que ele se tornou conhecido.
A extensa (220km) praia que vai do Chui a Rio Grande é o seu quintal, e a vertente tanto inspiradora quento de matéria-prima para seu trabalho.


Quem passar pela fronteira sul do país não pode deixar de conhecer o Coelho, que se intitula o último morador do Brasil, mas que eu digo que não é o último não, mas o primeiro!

Outra pessoa singular que conhecemos foi a Rosario, ou "la flaca", ou "Rosita la fletera", apelidos pelos quais é conhecida em La Pedrera.


Rosario é uma argentina de meia idade que trabalhou por vários anos na área de marketing da Intel, e que após o término de seu casamento disse: o que eu estou fazendo aqui?
Largou a vida estável e saiu por ai.
Rodou toda a América do Sul e depois de ver e conhecer o que queria, acabou baixando âncora em La Pedrera.
Você pode encontrá-la todas as noites no restaurante Don Rômulo, onde trabalha de garçonete, e de dia  ela faz fretes com uma van.
Na primeira noite que fomos ao restaurante ela estava sozinha no atendimento, e comentou: "estamos un poquito colapsadas", mas percebeu que as músicas não estavam muito "sintonizadas" com com o público e lançou: "vamos a musicalizar el ambiente!"
Quando pedíamos dicas sobre o cardápio ela disse "acá se come bien. Trabajo a un mes y medio y ya engordé un quilo!", e nos recomendou os Tortelones de carneiro ao molho de butiá, que é realmente muuuuuuito bom!


"Colapsada" ela percebeu que não havia guardanapos disponíveis, mas não se abalou. Foi à cozinha e pegou duas toalhas de papel: "se nos terminaron las servilletas, pero te traigo toallitas de papel para que te sientas en casa".
Quando a Carla pediu uma única sobremesa e duas colheres, ela me olhou e largou: "estás de acuerdo con eso?"
Ao vermos um cartazinho de WI-FI perguntamos pela senha, Rosario explicou: "está escrito, pero es mentira, no tenemos wi-fi, pero en el club de la esquina... la seña es..."
Ela brinca e diz que sempre que cruza com um cavalo puxando as tradicionais carroças de frete, sente um tipo de remorso por estar tirando o trabalho dos bichos.


E pra fechar as personalidades da fronteira, conhecemos Don Eusebio, que trabalha como jardineiro, eletricista, encanador, marceneiro, e o que mais for necessário no Pueblo Barrancas.


Quando viu que havíamos terminado o café da manhã, se acercou para enrolar seu cigarro de palha e "gastar um pouco as palavras". Acabamos filosofando sobre o mate (chimarrão), seus rituais, papel social, e psicológico, e neste lento diálogo ele sentenciou: "el mate tiene que tener su pausa, si no és água caliente".

Só com esta frase e uma boa garrafa de vinho, passa-se uma noite inteira filosofando sobre a vida!

Até o próximo!

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Na estrada - dia 2 - Cruzando a fronteira


Olá pessoal!

Desculpem o atraso, mas ontem não deu tempo de postar.
O dia foi longo.
Vivemos muita coisa.
O post vai ser longo...

Depois de nos instalarmos na pousada Pouso Alegre, e sermos muito bem atendidos pela recepcionista, fomos jantar no restaurante Maresias.
Um filé à parmigiana com a qualidade das carnes do Rio Grande do Sul, acompanhado da melhor cerveja do mundo, quiçá do universo!

Pura modéstia gaúcha...
Depois de uma restauradora noite de sono, e um bom café da manhã, abastecemos a moto, completei o óleo (maldito vazamento!), e seguimos para o atelier do Eloir, que fica na entrada da cidade.

Infelizmente demos azar desta vez, e não havia ninguém em casa.
Vai ficar para a próxima...
De Mostardas seguimos para São José do Norte, uma pequena cidade, quase uma vila, cujo nome é um mistério, pois não fica ao norte de nada, muito menos de outro São José.
Ai tomamos a balsa para Rio Grande.

 O tempo estava bom. Um pouco de névoa mas com águas bem tranquilas.

A cidade de Rio Grande é uma das mais antigas do estado, e sempre foi um ponto estratégico, seja político, comercial, ou militar. Toda a produção de charque no início do século XVII, atividade comercial que foi decisiva para o desencadear da Revolução Farroupilha, saia por este porto.

A cidade guarda ainda muita arquitetura antiga.

O lanchinho do almoço foi na Vila da Quinta, meio caminho entre Rio Grande e Pelotas, e é ali que se pega a BR-471 rumo ao Chui.



São 220Km sem nenhuma subida ou descida, e somente com 5 curvas.


É esta estrada que atravessa a Reserva Ecológica do Taim.
16 mil hectares de campos e banhados entra a Lagoa Mirim e o Oceano Atlântico, que serve de entreposto para várias aves migratórias, e habitat permanente para muitas espécies nativas.

 
Chegamos no Chui à meia tarde, fizemos câmbio de moeda, abastecemos, e fomos conhecer o museu e atelier do Koelho (descobri que ele assina com “K”).
É a primeira área de terra do Brasil.


Ele ocupa um terreno pertencente ao exército, às margens do arroio Chui. A outra margem é território uruguaio.
Belíssimas esculturas!



O trabalho dele é fantástico, e a energia do local é indescritível.
Tanto que perdemos a noção do tempo e saímos de lá já com sol posto.

Chegamos ao PuebloBarrancas perto das 22h, e depois de nos instalarmos, fomos jantar no restaurante Don Romulo (dica do Gaston).

EXCELENTE!!!
Enquanto jantávamos a Cagiva aguardava paciente na noite fria...


Depois disso... uma noite de sono!

Até o próximo!