quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Olá pessoal!

O Dakar terminou. Vamos deixar ele pra lá e falar de Cagiva?

As Elefantes, como a maioria das motos, usam uma peça chamada CDI no subsistema de ignição.
Perai... Perai... Perai...
Que diabos é isso?

Bom, o CDI é um dispositivo que substituiu o antigo "platinado". A sigla é abreviatura da expressão Capacitor Discharge Ignition, ou seja, ignição por descarga de capacitor.
Na adolescência eu tive uma Honda Turuna, que usava platinado acionado pelo eixo do cabeçote. Funcionava assim: a ponta do eixo erra excêntrica, e à medida que ia girando fazia os contatos do platinado abrir e fechar; estes pulsos gerados eram enviados para a bobina e de lá para a vela; o sincronismo disso tudo fazia com que a explosão acontecesse no tempo certo, e se não estivesse bem sincronizado a moto ficava "fora de ponto", e tudo isso era basicamente mecânico, pois o platinado nada mais era do que uma mola que quando acionada aterrava na carcaça a alimentação da bobina.

Já no início da década de 80 surgiram no mercado as primeiras motos com ignição CDI. Minha lembrança é da Yamaha RD125Z.
O CDI faz exatamente o mesmo papel que o antigo platinado, mas ao invés de ser acionado mecanicamente, ele é acionado por um ou mais sensores chamados pickup, formados por pequenas bobinas que reagem a um campo magnético.

Então a coisa funciona assim, uma pequena parte magnetizada do rotor aciona o pickup, que reage gerando um pulso, que é enviado ao CDI, que trata esse pulso e envia para a bobina, que o eleva para algo próximo de 20 ou 30mil volts e despacha para a vela.

Maravilha! Mas a coisa não é tão simples assim. O no CDI tem toda uma "inteligência" eletrônica para proporcionar a melhor qualidade no sinal de pulso enviado à bobina, e o melhor sincronismo do sistema em toda a gama de trabalho do motor, desde a marcha lenta até as mais altas rotações, e as dificuldades se multiplicam quando se fala de u
Não apoiamos nada que seja violento ou contra lei. Para nos entender melhor e qual é o nosso papel dentro da iniciativa Anonymous  Internacional, indico a leitura dos documentos do grupo e uma lida nos  tópicos. Acesse nosso blog para videos informativos e textos m motor com mais de um cilindro.
Nossas Elefantes usam um motor Ducati de 2 cilindros, e os CDIs originais são fabricados pela japonesa Kokusan Denki, ou melhor, ERAM, pois deixaram de ser produzidos já a algum tempo, e a nossa única alternativa para encontrá-los é o eBay.
É claro que existem os "alternativos", e o modelo mais moderno, digital, da Servitec é um dos acessíveis que mais se aproxima dos originais.
Meu Cagivão estava "equipado" com um Servitec analógico antigo e outro "marca diabo" sem identificação nenhuma, e o motor, mesmo com carburação equalizada e velas novas não trabalhava direito, principalmente em baixas rotações.
Seguindo uma dica de alguém do Desmo, e depois de ler vários depoimentos de cagiveiros europeus, resolvi investir num produto da tcheca Ignitech chamado SPARKER TCIP4.

Trata-se de um circuito microprocessado de alta velocidade, capaz de tratar com muito mais qualidade os sinais vindos dos pickups, permitindo até mesmo corrigir distorções e alterar a curva de ignição. Conta com uma interface serial RS232 através da qual ele pode ser acessado pelo programa TCIP4.EXE, e é com ele que se pode fazer todas estas leituras e ajustes.

O mais legal disso tudo é que é "plug and play", ou seja, desconecte os kokusam, ou seja lá quais CDIs você esteja usando, conecte o TCIP4, bata a ignição e o motor já sai funcionando melhor do que antes!
No meu caso, além do CDI, aproveitei para fazer upgrade nas bobinas, cabos e velas. Comprei tudo no site da ElefantAdventureBikes, e recomendo para todos os cagiveiros.

É isso ai, até o próximo!


segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Dakar 2012 - Final marcado por injustiças

Terminou ontem em Lima (Peru) a 32ª edição do Dakar, na minha opinião, marcada por injustiças e omissão da organização.
Cyril FDP Despres ganhou, mas fica manchado por haver demonstrado total falta de esportividade, e eu vou até mais longe, falta de caráter e respeito pelo semelhante.
E Peterhansel ganhou nos carros, e fica da mesma forma marcado com as mesmas manchas, no incidente que envolveu o brasileiro Vicentinho.

Mas vamos falar de coisas boas!
Felipe Zanol superou suas expectativas e terminou o Dakar em 10°!
 Como ele mesmo já havia previsto, suas maiores dificuldades foram com a navegação e adaptação às nuances do regulamento. Sofreu uma penalização de 40min na 3ª etapa por conta desta inexperiência. Sem esta penalização poderia ter terminado em 8°.
Zé Helio, Denísio e Dimas Mattos foram os outros brazucas a terminarem a prova, respectivamente em 19°, 24° e 57°.

A bela Laia Sanz fechou em 39°.

E "Il Nonno" Picco completou seu 25° Dakar em 45°.

As KTM seguem mandando na competição. Das 178 motos que largaram 71 eram KTM (40%), e 38 chegaram à Lima (praticamente o mesmo percentual). Se olharmos as 15 primeiras posições etapa a etapa, veremos que na média 8 ou 9 motos eram KTM, 2 Yamaha, e 2 Husquavrna.
Mas há algo de novo no ar. Pela primeira vez, desde 2001 quando a KTM conquistou sua primeira vitória no Dakar, outra marca divide um dos 3 degraus do pódio. A conquista foi do português Helder Rodrigues pilotando uma Yamaha.
É preciso aceitar que Marc Coma e Cyril FDP Despres, andam em um mundo à parte, e a diferença para bloco puxado pelo 3° colocado passa de 1h. Os 2 andam muito próximos, e se revesaram na liderança desde a 3ª etapa. Helder Rodrigues também tomou conta da 3ª posição, mas da 4ª em diante as alterações foram constantes. Até mesmo na última etapa, com seus parcos 29km de especial, Aubert e Czachor se inverteram na 13ª e 14ª posições.

É isso ai pessoal.
Infelizmente os episódios protagonizados por Cyril FDP Despres e Stephane Peterhansel, aliados à inércia e omissão da organização, tiraram o brilho da competição. Espero que a organização se sensibilize às ações e manifestações de protesto e insatisfação, e passe a seguir uma postura diferente nas próximas vezes, sob pena de levar esta, que é uma das mais tradicionais e reverenciadas competições off-road do mundo, ao descrédito e a falta de interesse popular.

Até o próximo!

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Dakar 2012 - Etapa 12

Hoje o dia foi compensador.

Coma virou eabriu 1,5min sobre Cyril FDP Despres.
Zanol sustentou o 10° posto e agora fica a 8min de Pain e 20min de Botturi.
E Paulo Gonçalves foi 5° na etapa. Até a organização colocou uma nota comentando a performance do português. Alguém deve ter ficado com dor na consciência por não punir Cyril FDP Despres.
Por falar em mau comportamento... outro francês que deu mau exemplo foi Peterhansel, que na etapa 9 praticamente jogou o carro cobre uma moto ao cruzar um rio, e foi mostrado inclusive no vídeo oficial da organização.

Um dos prejudicados foi o brasileiro Vicente De Benedictis deu adeus ao Dakar: "Estávamos atravessando um veículo de cada vez, mas teve um carro que não esperou e derrubou as motos rio adentro, sendo levadas pela correnteza. Levamos cerca de duas horas para encontrar as motocicletas, que estavam a quase dois quilômetros do ponto inicial”.
Lamentável.

Se não houver pressão junto à organização nada vai mudar, e a beleza do Dakar vai continuar sendo maculada por cenas deste tipo.

Até o próximo (torcendo por Zanol, Coma, e Paulo Gonçalves)!

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Dakar 2012 - As moças...


Em 2010 falamos das mulheres que disputaram o Dakar.
Este ano apenas 2 largaram representantes do "sexo frágil", Rosa Romero Font e Eulalia Sanz Pla-Gilibert.Desde a 3ª etapa somente Eulalia Sanz Pla-Gilibert (Laia Sanz), continua na competição, ocupando a 41ª posição na classificação geral.

Ela está na sua segunda participação, e em 2011 terminou em 39°.
E como solidariedade é conceito que se está falando muito... na etapa de ontem Laia foi a única a parar e socorrer Marc Guash após uma queda grave que acabou por colocá-lo fora do Dakar.

Mais uma com quem se deve aprender...

Dakar 2012 - Enfim chega-se ao Peru

Olá pessoal!

Ontem eu estava bastante desanimado. Nem quis assistir os vídeos e comentários sobre o Dakar.
É incrível como uma decepção nos causa "sentimentos colaterais".
Fico imaginando quantas pessoas passaram o mesmo, e que efeitos isso poderia causar.
Fazendo uma auto-análise, percebi que até mesmo minha admiração pela marca KTM foi afetada pelo lamentável comportamento de Cyril FDP Despres.
Imagino que isso deva ter se passado com muitas pessoas.
Será que a KTM percebe e considera tais "efeitos"?

Chega de filosofar!


A etapa de ontem foi vencida pelo espanhol Joan Barreda, de Husqvarna.
Esta foi a 4ª etapa que não foi vencida pela KTM.
Zanol terminou em 14° e pulou para 11° na classificação geral.
Além dele, Svitko e Guell trocaram as cadeiras, Ullevalseter, Pain, Botturi e Rubem Faria subiram 2 posições cada um, devido aos problemas que enfrentaram Paulo Gonçalves, que terminou a etapa em 12° mas contabilizou 15min de penalização pela troca do motor, e pelo abandono de Juan Pedrero (o motor de sua KTM morreu).

Este abandono de Pedrero ocorreu em um momento crítico para Coma, pois na etapa de hoje os pilotos não poderão contar com nenhuma assistência da equipe, e tão somente poderão ajudar-se mutuamente. No final do dia motos e pilotos ficam em um bivaque separado das equipes. Nesta condição, leva alguma vantagem quem tem um mochileiro, pois este tem essencialmente o papel de dar assistência ao piloto principal. Pedrero era o mochileiro de Coma, e Rubem Faria faz este papel para Cyril FDP Despres.
Resumindo, se for necessário Rubem faria retira peças de sua moto para ceder para Cyril FDP Despres.
Seria uma injustiça tremenda não é mesmo?

A maioria dos pilotos inicia a etapa do dia de hoje levando algumas peças consigo. Zanol, por exemplo, informou que irá levar filtro de ar.

A largada já aconteceu, e a etapa está em curso.

Vamos acompanhar.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Dakar 2012 - Um exemplo para Cyril FDP Despres

O pessoal do Desmogroup tinha circulado a um tempo atrás este texto, do qual faço uma tradução livre.

Contextualizando...

Dakar de 2004.
"O Cara" chamava-se Fabrizio Meoni.

Levou a KTM a sua primeira vitória em 2001. Repetiu o feito em 2002, e morreu no Dakar de 2005, coincidentemente Cyril FDP Despres subiria pela primeira vez ao pódio, em 3°.
Corria-se a 7ª etapa.
701km de cronometrados.
Fabrizio Meoni  havia vencido a 4ª etapa e vinha brigando pela liderança com Esteve Pujol, quando destroçou seu pneu traseiro no km580.
E ai ficou.
1h15min.
Observando passarem os competidores.
Sem nenhuma ajuda.
Cada vez mais ciente de que o Dakar acabaria ali.
Surge David Casteu.

Disputando seu segundo Dakar, a bordo de uma Cagiva ("First of all it's a Cagiva because I didn't want to have a KTM like the others. But most of all, it's the bike that belonged to Edi Orioli when he won the 95 rally. I payed 30 000 francs for it and then added 20 000 to restore things. It's a 900cc that is perfect for the race because it's solid. When you have no assistance it help").

Ao ver a cena parou.
Posteriormente em entrevista ele declarou: "Como motociclista, não imagino não para, e odeio saber que muitos não pararam"; "Ainda me aproximando vi pedaços do pneu e logo percebi o que se passara".
Mesmo diante das argumentações de Meoni ("He told me to carry on and not lose time. But I couldn't do that. He was devastated"), Casteu começou a trabalhar no conserto da moto e, com a ajuda de Cyril Raynal que também parou, em 5min colocou Meoni de volta ao Dakar.
Meoni terminou o Dakar de 2004 em 6°.
Na 9ª etapa, entre Néma e Mopti, no deserto de Mali, faltando ainda mais de 2000km para Dakar, Casteu bateu a Cagiva de frente com um Land Rover. A moto ficou destruída, e Casteu quebrou 3 costelas.
Parou?
Não.
Deu um jeito na moto, amarrou sua camisa em volta do ferimento e seguiu em frente. Completou o Dakar 2004 em 31°, e a organização lhe rendeu homenagem com troféu pela bravura e solidariedade demonstradas.
Uma ambulância lhe aguardava no aeroporto de Paris.

Vê se aprende Cyril FDP Despres!

Dakar 2012 - Despres... que vergonha heim!

Atitude anti-esportiva, para usar palavras doces, é o mínimo que se pode dizer de Cyril Despres.
A rede de tv francesa Pluzz divulgou vídeos dos momentos difíceis que passaram vários pilotos naquele atoleiro da etapa de ontem, e mostrou o português Paulo Gonçalves atolado logo antes de Despres.
Paulo Gonçalves ajuda o francês a levantar e tirar a moto da lama, o francês limpa a moto e vai embora, deixando o português com a moto atolada gritando "et de moi? et de moi?"


Lamentável.
De agora em diante, minha humilde forma de protesto, vai ser chamar o francês de Cyril FDP Despres, como alguns outros já estão fazendo.